sábado, 15 de março de 2025

Queres Discutir Comigo?




Diariamente, cruzamo-nos com pessoas que nos desafiam para uma discussão. Acontece de forma tão subtil que, muitas vezes, nem nos apercebemos – é como entrar num autocarro sem saber para onde nos vai levar.

Seja no trânsito, numa fila de supermercado, ou simplesmente a olhar para o menu de um restaurante, há sempre alguém à espera de uma oportunidade para te arrastar para um conflito.

E não falo de um debate construtivo ou uma troca de ideias, falo de discussão pura e dura, violenta e desnecessária.

Há pessoas que são infelizes e, sem saber o que fazer com essa infelicidade, descarregam nos outros. Alguém que se atrase de manhã para ir trabalhar, vai andar o caminho todo colado à buzina no trânsito, enquanto quem saiu de casa com tempo segue na sua tranquilade.

E há sempre aqueles que andam feitos bailarinas a saltar de faixa em faixa, simplesmente porque não suportam a ideia de estar parados – parar significaria confrontarem-se consigo mesmos.

E em qualquer fila, nunca falta o típico pombo, a esticar a cabeça por cima dos ombros de quem tem à frente, a inspecionar porque há fila ou porque está tudo tão lento.

Estamos tao habituados à "Fast Life", que até o tempo que uma planta demora a crescer pode parecer frustrante para alguns.

Somos oito biliões de pessoas. É inevitável cruzarmo-nos, todos os dias, com uma dúzia delas que te vai oferecer uma discussão.


E aqui está o verdadeiro poder: podes simplesmente não aceitar a oferta.




Não entres no jogo. Não reajas à provocação. Não aceites a discussão. Não te deixes levar pela estupidez humana, que tantas vezes nos leva a cometer loucuras.
Deixa os apressados seguirem o seu caminho, porque não sabem estar de outra forma.
Estão sempre a correr – não para chegar a algum lado, mas para fugir de si próprios.
Fica na tua. Dá licença. Deixa-os ir.
Não precisas de reagir a tudo. Não precisas de te envolver em cada briga. Sê apenas um observador.

A não ser, claro, que se trate de uma situação que realmente exija intervenção – e aí, sim, temos a responsabilidade de falar.

Mas no trânsito ou numa fila de espera, em que alguém está com pressa e manda bocas, ou carrega na buzina mal semáforo fica verde... Simplesmente observa.
Não deixes que os apressados levem a TUA Paz com eles.
No fim do dia, é tudo ejaculação precoce.


Muita calma.

quarta-feira, 12 de março de 2025

É Tempo de Escolher



Portugal enfrenta, mais uma vez, um momento decisivo. As eleições estão à porta, e a decisão que tomarmos agora definirá o futuro do país nos próximos anos. No meio da desinformação e das promessas vazias, é crucial lembrar que a história ensina lições preciosas, e ignorá-las pode custar caro.

 

Há apenas 50 anos, Portugal vivia sob uma ditadura que reprimia liberdades, concentrava riqueza nas mãos de poucos e condenava a maioria da população à pobreza e à emigração forçada. A Revolução de Abril trouxe direitos, o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e a ideia de um Estado que protege os cidadãos, em vez de os explorar. Mas hoje, vemos surgir discursos que distorcem a realidade e colocam em risco estas conquistas.

Os partidos de Direita, aparecem como "Salvadores da Pátria", com promessas de menos impostos e mais dinheiro no bolso, de restauração de glória que Portugal viveu em tempos, mas a realidade é outra: defendem a privatização da saúde, da educação e da segurança social, com políticas de divisão e exclusão, e falsas promessas de melhoria salarial geral. Em vez de termos serviços públicos acessíveis a todos, apenas quem puder pagar terá acesso a eles, aumentando o fosso entre ricos e pobres.

Além disso, usam a tática de culpar os imigrantes pelos problemas económicos, quando o verdadeiro problema é a concentração de riqueza e os lucros exorbitantes de grandes empresas, que pagam mal e exploram os seus trabalhadores. Assistimos a estratégias antigas: dividir para conquistar, criar bodes expiatórios e desviar a atenção dos verdadeiros culpados. Cortinas de fumo. A História ensina-nos que estas narrativas apenas favorecem os mais ricos e poderosos, deixando o povo a migalhas.

Um dos maiores riscos que enfrentamos agora é a dispersão do voto. Existem Partidos pequenos, com propostas interessantes, mas num momento de fragilidade política, votar neles pode acabar por beneficiar a Direita. Se a Esquerda se fragmenta, quem se fortalece é quem quer continuar a destruir os direitos conquistados, reduzindo o poder a um núcleo pequeno de pessoas.


Um voto num Partido pequeno de Esquerda pode significar um voto num Partido grande de Direita.

 

Os jovens, que são o futuro do país, precisam aprender a desconfiar das promessas fáceis e a ter pensamento crítico. Quando algo parece bom demais para ser verdade, é porque não é verdade. São constantemente minados nas Redes sociais, através de influencers financiados por grandes interesses económicos, que não estão preocupados com o bem comum ou com os seus fiéis seguidores. Estão apenas a cumprir agendas que os beneficiam a si próprios e àqueles que já têm poder.

A solução é a união. A Esquerda não pode cometer o erro de se dividir em pequenos grupos, quando o que está em jogo é a sobrevivência de um Estado que protege os seus cidadãos. A escolha não é entre a perfeição e o caos, é entre avançar ou regredir. Não deixemos que mentiras engendradas, truques nas mangas e canções de embalar nos tirem o que custou décadas a construir, que a Direita sempre insistiu incansávelmente em destruir.

Vivemos em tempos de confronto, do Novo contra o Velho, do deixar o que já não nos permitem crescer e evoluir, de largar o que já não serve, de deixar os velhos costumes do Racismo, da Misoginia, da Xenofobia, da Homofobia, da Indiferença, da Inveja, da Raiva, e de abraçarmos a Solidariedade, a Bondade, a Caridade,  a Generosidade, e todos os valores que nos unem e acrescentam.

É altura de sermos amigos uns dos outros novamente, de esquecer as nossas diferenças, de valorizar menos o dinheiro, o estatuto, a conta bancária, a cor da pele e o código postal, e começarmos a reparar na forma como nos tratamos uns aos outros, no carácter do que temos, na ética, na cortesia e cordialidade, e todos esses valores que estamos a deixar esquecidos pelo tempo.


É a derradeira luta entre o Dinheiro e o Homem.

 

 
...E tu, vais votar no Quê, ou em Quem?