sexta-feira, 30 de setembro de 2016

(INC)onveniente


Sabíamos que o mundo não voltaria a ser o mesmo.
Algumas pessoas riram, poucas choraram.
A maioria ficou em silêncio. - J. Robert Oppenheimer

O caso Edward Snowden

Deixar Edward Snowden no limbo irá manchar o legado do Presidente Barack Obama



O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem de se posicionar do lado certo da história com a declaração inequívoca de um perdão a Edward Snowden, o qual enfrenta a possibilidade de passar décadas na prisão por ter defendido os direitos humanos ao denunciar as práticas ilícitas dos programas de vigilância maciça das agências de serviços secretos norte-americanas. A Amnistia Internacional, a American Civil Liberties Union, a Human Rights Watch e uma série de outras organizações e indivíduos juntam-se a uma só voz, numa petição global que é tornada pública esta quarta-feira, 14 de setembro.

Em antecipação à estreia no cinema do documentário filmado por Oliver Stone sobre as denúncias feitas por Edward Snowden e subsequente exílio do norte-americano na Rússia, em 2013, esta nova campanha global insta a um perdão presidencial para o antigo consultor subcontratado da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) antes do fim do mandato de Barack Obama.

“Edward Snowden agiu claramente em defesa do interesse público. E motivou um dos mais importantes debates em décadas sobre a vigilância governamental, além de ter lançado um movimento global de defesa da privacidade na era digital. Puni-lo por isto envia a perigosa mensagem de que aqueles que testemunham violações de direitos humanos cometidas atrás de portas fechadas não o podem denunciar”, avalia o secretário-geral da Amnistia Internacional, Salil Shetty. “É até irónico que seja Snowden a ser tratado como um espião quando o seu ato de coragem chamou a atenção para o facto de que os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido estavam a espiar ilegalmente milhões de pessoas sem o seu consentimento”, prossegue.

Salil Shetty frisa também que “a vigilância em larga escala exposta por Snowden tem impacto nos direitos humanos de pessoas no mundo inteiro”. “A nossa nova campanha dá à opinião pública a oportunidade de exigir que ele seja perdoado e de lhe agradecer por ter espoletado indivíduos por todo o mundo a agirem para reaverem a sua privacidade”.

Em junho de 2013, Edward Snowden partilhou com um grupo de jornalistas uma coleção de documentos dos serviços secretos norte-americanos que recolhera quando trabalhou como consultor da NSA. Esses documentos revelam a larga extensão das operações de vigilância eletrónica dos governos norte-americano e britânico, os quais monitorizavam a atividade telefónica e de internet de milhões de pessoas pelo mundo inteiro.

Em reação às denúncias feitas por Snowden, o Presidente Barack Obama emitiu uma diretiva exigindo às agências de serviços secretos que fizessem mudanças significativas às práticas de espionagem dos Estados Unidos. E em 2015, o Congresso norte-americano tomou as rédeas da autoridade sobre a vigilância governamental pela primeira vez no país em quase 40 anos, depois de um tribunal federal ter apurado que a forma como a NSA coligia informação sobre virtualmente todas as chamadas telefónicas nos Estados Unidos era ilegal.
A Amnistia Internacional tem instado repetidas vezes a Administração norte-americana a anular as acusações contra Edward Snowden e a garantir-lhe uma defesa sustentada no argumento do interesse público caso seja levado a julgamento.

Mas, mais de três anos após as denúncias, Snowden permanece no limbo, exilado na Rússia, ensombrado pelas leis de espionagem que datam da I Guerra Mundial e que podem resultar em que seja acusado de crimes muito graves se regressar aos Estados Unidos. Um perdão presidencial é a melhor hipótese que Edward Snowden tem para ser livre.
“Snowden deve ser lembrado como um campeão de direitos humanos pelo serviço público que prestou. Se Barack Obama terminar o mandato com Snowden ainda exilado na Rússia, separado da família e tratado como um inimigo de Estado, tal será uma mancha profunda no legado do Presidente”, sustenta Sali Shetty.
O secretário-geral da Amnistia Internacional considera que “as acusações contra Edward Snowden têm origem em leis irremediavelmente antiquadas e ultrapassadas e que jamais deveriam ter sido feitas”. “Encorajamos todos os nossos apoiantes a juntarem-se a esta iniciativa e a, juntos, instarmos o Presidente Obama a solucionar esta flagrante injustiça, enviando a mensagem de que quem denuncia práticas ilícitas e ilegais dos governos e outros que agem em nome dos direitos humanos serão protegidos”.

O advogado de Edward Snowden e diretor do projeto Liberdade de Expressão, Privacidade e Tecnologia da American Civil Liberties Union (ACLU), Ben Wizer, sublinha, por seu lado, que “casos como o de Edward Snowden são justamente a razão por que os perdões presidenciais existem”.
“Apesar de alguns chefes de Estado norte-americanos terem usado esse poder para perdoar pessoas que cometeram atos repreensíveis, o Presidente Obama tem aqui a oportunidade de validar expressamente um dos mais significativos atos de denúncia feitos na história moderna. Face ao muito concreto contributo que Snowden deu para o debate democrático a nível global, devíamos estar a conversar sobre como lhe agradecer, não como o punir”, remata o perito.

Petição aberta à assinatura de todos os cidadãos do mundo

A petição que insta o Presidente norte-americano, Barack Obama, a emitir o perdão presidencial a Edward Snowden antes de terminar o seu mandato pode ser assinada por todos e cada um, em:
Os chefes de Estado norte-americanos têm o poder de emitir perdões a indivíduos acusados de crimes federais ao abrigo do artigo II, secção 2 da Constituição dos Estados Unidos.

Ação



Faz hoje um mês que colapsei.
Perceber que vivi a vida toda numa mentira foi como ter morrido afogada.
Os ataques de ansiedade, de pânico, a angústia, as dúvidas, tudo tinha uma explicação. O meu instinto nunca me falhou. A minha perspectiva é que estava errada. Porque não me tinham contado a história toda.

Ainda existe muito nevoeiro e confesso que já fiz alguns brilharetes, como bater palmas e dar grande "Yo" no hospital enquanto estava a ser transportada de cadeira de rodas depois de sofrer uma perda de sentidos em plena rua... 5 minutos depois estava a implorar a toda a gente por ar... ar... e a santa da médica que me atendeu até disse "olha, compras uns boiãozinhos que vendem nas farmácias que dizem ar...", alta tanga, porque era a ansiedade que não me deixava respirar... Hoje dá para rir, mas ao fim de 5 dias ainda sentia a distensão muscular do pescoço quando o meu corpo cedeu e só tiveram tempo para me segurar por um braço para não bater com a cabeça no chão.

À pala disto tudo, comecei a descobrir mais sobre mim.
Aproximei-me de família que me tinha sido roubada e começaram a surgir respostas.
Principalmente sobre os que toda a vida me rodearam.

Colapsei porque resumi a minha insignificância na eterna procura de aceitação de alguém.
Deixei de sentir o sabor da vida. Deambulei. Sobrevivi.
Porque simplesmente não me deixaram Ser. Explorar. Criar.

Chego à conclusão que toda a gente tem esqueletos no armário, mas têm sempre duas opções. Seguir as pisadas dos opressores, ou repudiar todo o tipo de comportamento de que foram vítimas e, assim, "quebrar" o ciclo.

"Porquê cortar pela raíz, se já deu flor?"
Nunca é tarde para nos redimirmos, para fazer o bem, para voltar a amar.






Hey girl, is he everything you wanted in a man?
You know I gave you the world
You had me in the palm of your hand
So why your love went away
I just can't seem to understand
Thought it was me and you babe
Me and you until the end
But I guess I was wrong

Don't want to think about it
Don't want to talk about it
I'm just so sick about it
Can't believe it's ending this way
Just so confused about it
Feeling the blues about it
I just can't do without ya
Tell me is this fair?

Is this the way it's really going down?
Is this how we say goodbye?
Should've known better when you came around
That you were gonna make me cry
It's breaking my heart to watch you run around
'Cause I know that you're living a lie
That's okay baby 'cause in time you will find...

What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around

Now girl, I remember everything that you claimed
You said that you were moving on now
And maybe I should do the same
Funny thing about that is
I was ready to give you my name
Thought it was me and you, babe
And now, it's all just a shame
And I guess I was wrong

Don't want to think about it
Don't want to talk about it
I'm just so sick about it
Can't believe it's ending this way
Just so confused about it
Feeling the blues about it
I just can't do without ya
Can you tell me is this fair?

Is this the way it's really going down?
Is this how we say goodbye?
Should've known better when you came around (should've known better that you were gonna make me cry)
That you were going to make me cry
Now it's breaking my heart to watch you run around
'Cause I know that you're living a lie
That's okay baby 'cause in time you will find

What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around

What goes around comes around
Yeah
What goes around comes around
You should know that
What goes around comes around
Yeah
What goes around comes around
You should know that

Don't want to think about it (no)
Don't want to talk about it
I'm just so sick about it
Can't believe it's ending this way
Just so confused about it
Feeling the blues about it (yeah)
I just can't do without ya
Tell me is this fair?

Is this the way it's really going down?
Is this how we say goodbye?
Should've known better when you came around (should've known better that you were gonna make me cry)
That you were going to make me cry
Now it's breaking my heart to watch you run around
'Cause I know that you're living a lie
But that's okay baby 'cause in time you will find

What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around

Let me paint this picture for you, baby

You spend your nights alone
And he never comes home
And every time you call him
All you get's a busy tone
I heard you found out
That he's doing to you
What you did to me
Ain't that the way it goes

When you cheated girl
My heart bleeded girl
So it goes without saying that you left me feeling hurt
Just a classic case
A scenario
Tale as old as time
Girl you got what you deserved

And now you want somebody
To cure the lonely nights
You wish you had somebody
That could come and make it right

But girl I ain't somebody with a lot of sympathy
You'll see

I thought I told ya, hey
(What goes around comes back around)
I thought I told ya, hey
(What goes around comes back around)
I thought I told ya, hey
(What goes around comes back around)
I thought I told ya, hey

See?
You should've listened to me, baby
Yeah, yeah, yeah, yeah
Because
(What goes around comes back around)
[laughs]

Fio de Prata

"Quando se trata da vida, tecemos o nosso próprio fio.
E o lugar onde acabamos é, na verdade, onde sempre quisemos estar."
Julia Glass


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

PÁRA. ESCUTA. E OLHA.


Cada vez mais percebo que tenho melhor entendimento com as pessoas de forma não verbal.
Através de gestos, de olhares, do toque, e até às vezes, só o simples facto de estar...

É como a diferença do ouvir e escutar. 

Muitas vezes gastam energia a falar connosco e vice-versa, mas será que realmente a mensagem está a ser entendida? Se considerarmos a premissa que num diálogo existe sempre mais do que uma perspectiva, a minha, a tua e a "outside the box", podemos concluir que: ou existe uma grande sintonia, ou a mensagem não vai ser interpretada 100% correta.
Como aquele jogo em que estão 10 pessoas em fila, a última inventa uma frase e vai dizendo para o outro até que a primeira tem que repetir a frase. Há sempre alguém pelo caminho que mete àgua.
Ou como quando observamos surdos-mudos a falarem por linguagem gestual, não estão com trinta olhos colados a olharem sempre uns para os outros, para não perderem pitada de palavra.
Quantas vezes falam connosco e por breves momentos algo desvia a nossa atenção e o fio da conversa desliga e sofremos uma branca?

Falar ajuda. Ouvir também.

Mas é mais importante escutar. Porque quando começares a escutar realmente, vais ter outro entendimento. 

É como a diferença entre Ver e Olhar.
Um dos meus filmes favoritos tem a expressão "Are you watching closely?" e é fantástico observar a reviravolta quando se percebe que uma das personagens tinha um gémeo e que a grande diferença entre eles os dois esteve sempre à vista do protagonista, sem ele nunca reparar.
Quantas vezes procuramos coisas que estão mesmo à frente dos nossos olhos e não reparamos?

Vemos muito e ouvimos muito.

É preciso OLHAR. É preciso ESCUTAR. 

E é preciso PARAR!

PARAR, para refletir no que estamos a fazer no nosso dia a dia.
Cada vez mais nos transformamos em zombies. Abandonamos os nossos filhos no infantário ou na escola, somos escravos do trabalho, do dinheiro, compramos uma casa que nem tempo decente temos para usufruir e convencemos-nos que temos uma vida de qualidade.
Cada vez mais vejo famílias reunidas com os olhos mergulhados nos seus smartphones, partilham apenas o mesmo espaço. Cada vez somos mais estranhos. Menos um por todos e todos por um. Vemos alguém a ser injustiçado ao nosso lado e resignamos-nos a estar calados, a assistir de plateia. Estamos mortos, pergunto-me? Não temos boca? Temos medo? De quê? Que se virem para nós? 

A união faz a força...

É preciso largar as armas e dar as mãos.
Quando foi a última vez que saíste à rua e deixaste a armadura em casa?


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MGMT - Electric Feel



All along the western front
People line up to receive
She got the power in her hand
To shock you like you won't believe
Saw her in the amazon
With the voltage running through her skin
Standing there with nothing on
She gonna teach me how to swim

I said ooh girl
Shock me like an electric eel
Baby girl
You turn me on with your electric feel
I said ooh girl
Shock me like an electric eel
Baby girl
Turn me on with your electric feel

All along the eastern shore
Put your circuits in the sea
This is what the world is for
Making electricity
You can feel it in your mind
Oh you can do it all the time
Plug it in and change the world
You are my electric girl

Said ooh girl
Shock me like an electric eel
Baby girl
Turn me on with your electric feel
I said ooh girl
Shock me like an electric eel
Baby girl
Turn me on with your electric feel

Do what you feel now
Electric feel now
Do what you feel now
Electric feel now
Do what you feel now
Electric feel now
Do what you feel now
Electric feel now
Do what you feel now
Electric feel now

MU.DA.NÇA



"A mudança é a lei da vida.
E aqueles que só olham para o Passado ou para o Presente, certamente que perderão o Futuro."
John Fitzgerald Kennedy

Millennials: A geração Y


Li este artigo e não resisti em partilhá-lo. Cada vez mais o espiritualismo se sobrepõe à matéria. A Terra está prestes a tornar-se palco de um cenário do filme "Fight Club".



Millennials: A geração que vem revolucionar o capitalismo


Ah, os miúdos de agora! Consomem de forma racional, estudam o mercado, comparam os preços, não usam cartão de crédito e só querem partilhar em vez de possuir. O mundo está perdido!”. A citação é imaginária mas, ironias à parte, bem poderia sair da boca de um fabricante de automóveis ou de um vendedor de artigos de luxo. Os Millennials estão a transformar a economia e a obrigar alguns setores tradicionais a reinventar-se. A “geração Uber” ou “Airbnb” já começou a mudar a face do capitalismo.
Os primeiros da Generation Me (Geração Eu, outro dos cognomes que lhe estão atribuídos devido a um alegado narcisismo que lhes será característico), já têm mais de 30 anos. Chegaram àquela idade de que o mercado tanto gosta: os anos do glorioso consumo, tantas vezes desenfreado, para ter uma casa, um carro e um aparelho de televisão melhor do que o do vizinho. Usando quase sempre, na urgência e à falta de poupanças, o crédito pessoal, o cartão leve agora e pague (muito mais) depois.
Mas isso parece que era dantes. E os sinais estão aí. Claro que a maior parte destes jovens quer ter uma casa própria, mas um número significativo – 30% – diz que não é uma prioridade, a juntar aos 15% que não pensam em comprar um imóvel num futuro próximo (ver infografias). Quando se fala de automóveis ou de bens de luxo, então os Millennials deixam bem claro que preferem gastar o dinheiro noutros voos.
Desde 1989 que, na América, não havia tão poucos endividados sub-35. A crise que perdura desde 2008 também tem feito o seu papel: vive-se pior e, portanto, os Millennials não têm tanto dinheiro (nem tanto acesso ao crédito fácil) quanto as gerações anteriores tinham com esta idade; e houve ainda um efeito dissuasor, uma vez que esta geração cresceu com a instabilidade financeira, o nervosismo dos mercados e a queda de grandes bancos. Muitos deles viram os pais ficar sem emprego, razão mais do que suficiente para não se perderem agora nas dívidas.
Por outro lado, a geração Y cresceu com a “oitava maravilha” do mundo moderno: a internet. Eles são os primeiros nativos digitais e grande parte da sua vida flui dentro do LCD do smartphone. Estão lá os amigos, a rede de contactos profissional, as notícias do dia, a música, os filmes, os vídeos... Está lá todo o comércio, a par de inúmeros sites de comparação de preços de um mesmo artigo, nas diferentes lojas…
Naquele espaço, onde o mundo se liga a qualquer hora do dia e da noite, foi surgindo, muito naturalmente, esta nova economia, chamada “da partilha”. Começou ingenuamente, sem sede de lucro, com o “velhinho” Couchsurfing, um site através do qual uma pessoa pode ficar a dormir no sofá de um estranho, gratuitamente, que é uma forma barata de conhecer uma nova cidade.
Mas de repente… os taxistas estão na rua a “caçar” motoristas da Uber e os hotéis tremem com o imenso negócio do alojamento local disponível no Airbnb. São serviços à medida dos Millennials, que não gostam de acumular, mas de partilhar ou alugar, do carsharing ao cowork.
Uma sondagem recente da universidade de Harvard mostra que 51% dos jovens entre os 18 e os 29 anos não apoia o sistema capitalista. E agora, o que acontece à economia?



EXPERIMENTAR, NÃO TER

“O digital acabou com a Blockbuster (rede de clubes de vídeo) e a Kodak deixou de ser relevante… Isso foi uma hecatombe. Já a economia da partilha é disruptiva, sim, mas o Airbnb não vai fazer com que os hotéis desapareçam nem a Uber vai acabar com os táxis. Estão é a obrigá-los a mudar. Os setores mais tradicionais da economia têm de se adaptar”, refere Rui Ventura, presidente da Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing.
Os balcões das instituições bancárias tornam-se obsoletos com esta geração que já só usa o netbanco, os agentes de seguros estão em vias de extinção e podemos até questionar, com a evolução do e-commerce, o tempo de vida de algumas lojas físicas de equipamentos eletrónicos ou de vestuário. Mas as questões que os Millennials colocam ao mercado estão para lá da simples migração dos negócios para o digital
“O seu consumo é mais racional, fazem contas, falam com os amigos, comparam os preços, estão em pesquisa constante de informação. E querem menos compromisso e menor fidelização, o contrário daquilo em que o marketing tem vindo a apostar”, explica Rui Ventura.
O sucesso de uma startup como a portuguesa Chic by Choice, por exemplo, que aluga vestidos de luxo, deve-se a esta característica dos Millennials de valorizarem a experiência, sem sentirem necessidade de serem donos do vestido, no caso. Querem “passar por isso” e não “ter isso”.
“Ter por ter” não faz sentido nenhum para Mafalda Maya, 31 anos, joalheira de formação e de profissão.
“Não quero que o meu armário tenha peças que eu não use”, sublinha. Não está “agarrada” às prestações do banco para pagar casa (vive com o namorado), não tem carro nem pensa vir a ter (“Os custos que um carro acarreta! Sou uma privilegiada por poder andar de transportes públicos ou a pé”, diz), não tem cartão de crédito e resistiu a endividar-se com um microcrédito para abrir o seu atelier, em Lisboa: “Fui juntando dinheiro. Esperei três anos até ter o dinheiro todo”, acrescenta.
É um bom exemplo da forma de pensar destes Millennials, que preferem gastar o dinheiro em viagens e no currículo, investindo em formações e workshops. Além disso, Mafalda tem outra característica vincada da geração Y: uma imensa preocupação ecológica. “A quantidade de plástico que usamos é assustadora. Mais do que reciclar, tento não usar. Compro biológico e local. Tenho imenso cuidado com o que como e com os produtos que ponho na pele. Evito comer carne por uma questão de consciência e de pegada ecológica. É isso que quero deixar aos filhos que poderei vir a ter: não uma casa, mas um planeta”, conclui.

NARCISOS, OLHEM-SE AO ESPELHO

Nesse planeta não vivem apenas plantas e animais. E a geração Y já se faz notar pelas suas preocupações sociais. Não é à toa que se diz que os Millennials voltaram ao idealismo dos Baby Boomers, também como reação ao cinismo e ao pessimismo da geração X.
“Estes jovens pretendem trabalhar em organizações que ofereçam oportunidade de se focar no desenvolvimento de competências, na melhoria das condições salariais e dos níveis de satisfação dos seus profissionais, mas também que sejam capazes de criar empregos e disponibilizar bens e serviços que têm um impacto positivo na vida das pessoas. Isto é, querem perceber o real significado do seu trabalho e o seu papel dentro das organizações”, afirma Gonçalo Simões, sócio da Deloitte, consultora que tem estudado os hábitos desta geração.
A Generation Me, afinal, olha bem mais longe do que o seu umbigo. É o problema dos rótulos, que os Millennials, aliás, abominam. Com as estatísticas norte-americanas a mostrar um aumento significativo da doença do transtorno de personalidade narcisista, logo a geração Y foi classificada como sendo narcisista e presunçosa, agindo como se o mundo lhes devesse alguma coisa. A proliferação das ‘selfies’ e o facto de não conseguirem dar um passo na vida sem o publicitar – e insuflar – no Facebook, não ajudou.
No entanto, as análises simplistas esquecem que ir ao psiquiatra é hoje algo de banal, o que não acontecia há 30 anos. Além disso, os jovens adultos estão numa fase de afirmação, que muitas vezes é confundida com excesso de autoestima. Ou os Baby Boomers e a geração X já se esqueceram dos seus 20 anos? Num artigo da revista Time, o executivo Scott Hess, que tem um discurso nas conferências TedX sobre os Millennials, brincava assim com o assunto: “Podem imaginar se os ‘boomers’ tivessem YouTube? Podem imaginar a quantidade de Instagrams aberrantes, de pessoas a brincar na lama, teríamos visto durante o Woodstock? Em muitos sentidos, estamos a culpar os Millennials pela tecnologia que existe agora”.

COMO “AMARRAR” UM MILLENNIAL

Voltando ao mercado de trabalho… Este foco no bem-estar da sociedade como resultado do seu trabalho é, para Gonçalo Simões, a grande mais-valia desta geração. Por outro lado, “a impulsividade e alguma insatisfação natural, de quem tem um foco no retorno que retira no imediato, podem dificultar a atração destes talentos e a sua lealdade, e são porventura os maiores desafios”, continua o especialista.
Nuno Troni, diretor de recrutamento especializado da Randstad, tem a mesma ideia. “Têm uma necessidade constante de mudança, exigem desafios permanentes. A dificuldade, para as empresas, não é a atração dos Millennials, mas a retenção. Eles não gostam de monotonias”, considera.
O informático Pedro Carmo, 29 anos, celebrou, há poucos dias, seis meses de permanência na mesma empresa. É a primeira vez que ultrapassa esta barreira temporal. No último emprego sentiu-se desmotivado e, antes mesmo de terminar o período experimental, decidiu sair. “Não tinha nenhum trabalho em vista, mas estava confiante de que conseguia arranjar um novo com facilidade”, explica este software developer. Não estava enganado. Pedro sabe que não existem muitos profissionais com a sua experiência, o que lhe dá maior confiança na hora de mudar. Mas este não é o único fator. “Gosto da flexibilidade de um contrato a prazo. Gosto, por exemplo, da possibilidade de não voltar amanhã para o mesmo local”, diz.
De acordo com o estudo da Deloitte, 66% dos Millennials espera deixar o atual emprego até 2020. “As empresas têm o desafio de fomentar a lealdade, sob o risco de perderem uma parte importante da sua força de trabalho. Essa lealdade poderá ser conquistada através da promoção de oportunidades de desenvolvimento de competências de liderança, de melhores ligações a mentores e de um maior e salutar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional”, diz Gonçalo Simões.
Sim, para estes jovens há mais vida além do trabalho e eles já não estão disponíveis para as noitadas no escritório. Além disso, embora sejam “mais desprendidos do ponto de vista material”, continuam a dar muita importância ao “pacote salarial” na altura de encontrar um emprego. “Valorizam o salário, mas sobretudo os benefícios (seguro de saúde, ginásio, formação…)”, remata Nuno Troni.
Algumas empresas já perceberam a ideia e, na DreamWorks, por exemplo, é possível, nas horas de trabalho, frequentar aulas de fotografia, escultura, pintura, cinema e karaté. A Google oferece refeições grátis, massagens no local de trabalho, aulas de fitness e deixa os funcionários levarem o cão para o trabalho… O operário representado por Charlie Chaplin, no filme Tempos Modernos, ficaria de boca aberta.

O MUNDO É UMA ALDEIA

“Os empregados têm um ciclo de vida nas empresas”, continua Pedro Carmo, “cansam-se”. Mas existe um sítio de que Pedro não se cansa: a casa dos pais, de onde só agora vai sair para o seu primeiro apartamento. “Não me fez confusão meter-me num crédito a 35 anos”, diz o informático, que vai passar a viver a 10 minutos da casa dos progenitores.
Lar, doce lar… De acordo com o Eurostat, 72% dos jovens portugueses entre os 20 e os 29 anos ainda vive com os pais (a média europeia é de 56%). Mesmo considerando a faixa etária entre os 25 e os 29 anos, a percentagem é alta: 60 por cento (40% é a média europeia). Os baixos ordenados, a precariedade laboral e a maior qualificação dos jovens (com os estudos a prolongarem-se até mais tarde) serão os principais responsáveis. Mas também o facto de esta geração deixar o casamento e os filhos para mais tarde. Em 1980, as mulheres portuguesas casavam-se aos 23 anos; em 2015, a média vai nos 31. A verdade é que os Millennials, a quem os especialistas reconhecem uma capacidade de adaptação sem igual, tanto estão bem em casa dos pais como em qualquer lugar do mundo. Estes filhos da globalização estão formatados para considerar o mundo – e não apenas a sua cidade – quando se trata de entrar no mercado de trabalho. “Quando acabar o curso quero arranjar rapidamente trabalho e, para o conseguir, devo ter de ir para fora do País”, considera Rafael Sequeira, 21 anos, em transição entre o final da licenciatura de Engenharia Mecânica, no Instituto Superior Técnico, para o mestrado na mesma área.
Faltam-lhe dois anos até dar por terminada a passagem pela faculdade mas, ainda assim, não conta sair de casa do pai antes dos 26 anos. “Se ficar em Portugal, espero um ou dois anos para juntar dinheiro e só depois compro casa”, prevê.
Enquanto terminava a licenciatura, Rafael manteve-se ocupado com o desenvolvimento de um carro elétrico de Fórmula Um, com o qual concorreu, juntamente com outros colegas, a um concurso europeu de jovens engenheiros. Há muito que se habituou a ocupar parte do verão a trabalhar como monitor em colónias de férias e, assim, juntar dinheiro para viajar com os amigos e a namorada e para participar no concurso do carro. “Não gosto de esbanjar. Só compro coisas que acho que têm o seu valor, não vou atrás de modas”, garante.
Uma das colegas de Rafael no projeto do carro foi Sofia Torres, de 20 anos, uma jovem de Castelo Branco, que vive em Lisboa com a irmã. “Estamos a morar numa casa que os meus pais compraram há uns anos. Vivo com a mesada que me dão”, conta. Do que recebe todos os meses, ainda põe de parte uma pequena quantia, graças aos cuidados que tem com os preços na hora de ir às compras.
Mas estes “poupadinhos” não consomem? “Consomem”, acredita Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, a associação que reúne as empresas portuguesas de produtos de marca. “No fundo, penso que é uma geração tão consumidora quanto as restantes, embora valorize outros tipos de bens”, acrescenta.
Tudo o que é tecnológico, naturalmente. Em Wall Street já se nota uma tendência de os investidores apostarem nas empresas de que os Millennials gostam: Snapchat, Facebook, Amazon, Paypal… O capitalismo também se adapta. Até porque a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012, também conhecidos como “os mutantes”) já aí está, quase com 20 anos. Essa não é apenas “viciada” no smartphone; é moldada pelo digital. E se algo ou alguém não está online, é porque não existe.

AS DIFERENTES GERAÇÕES

Apesar das generalizações serem terreno minado, aqui alguns traços que poderão caracterizar cada uma das seguintes gerações:
Geração Baby Boomer - (1946 / 1964) Devem o nome à “explosão demográfica” que se verificou nos Estados Unidos no fim da Segunda Guerra Mundial. Nasceram com o Estado Social e viveram a era do emprego para a vida, da conquista de direitos laborais e de muitos avanços civilizacionais
Nem todos estiveram no Woodstock, mas a contracultura do final dos anos 60 deixou marcas e, por isso, são descritos como idealistas. Têm sido os grandes consumidores do nosso tempo, suportes da economia, mas estão a chegar à idade da reforma
Geração X - (1965 / 1979) É a primeira geração a viver pior do que os seus pais e define-se pelos elevados níveis de ansiedade perante a perspetiva de que não haverá Segurança Social quando chegarem à idade da reforma. Foram os yuppies do final dos anos 80 e, talvez por isso, sejam frequentemente caracterizados como “cínicos”. São a geração do computador pessoal e viram nascer a internet. Já não vivem sem ambos, mas sabem identificar uma máquina de escrever (e uma cassete áudio ou um leitor de VHS). É menos numerosa do que a antecessora Baby Boomer e de que predecessora Millennials. Não admira – os X são filhos da democratização da pílula e da libertação da mulher do seu papel tradicional de “fada do lar”.
Geração Y - Millennials - (1980 / 1996) São nativos digitais, nasceram a saber teclar e comunicam através do texto. São multiculturais, tolerantes, filhos da globalização. Também são conhecidos como Generation Me (Geração Eu), pois são os grandes protagonistas das ‘selfies’. Preferem os produtos personalizados e os serviços “à medida” – é este o grande desafio atual do mercado. Inicialmente apelidados de “preguiçosos”, por viverem em casa dos pais até mais tarde (sobretudo o subgrupo “nem-nem”, que nem estuda nem trabalha), revelaram-se bem mais empreendedores do que os seus antecessores. São bastante mais racionais a consumir, ecorresponsáveis, menos fiéis às marcas, dando sempre preferência à experiência, não à posse.
Geração Z - (1997 / 2012) As nossas crianças e os nossos adolescentes não são viciados em tecnologia como os Millennials: são “siameses” da tecnologia, algo que lhe é tão essencial como o ar que respiramos. E se a geração anterior comunicava através do texto, esta comunica com as imagens e os símbolos – é a era dos emojis em todo o seu esplendor. Num caminho iniciado pela X e aprofundado pela Y, os Z são ecologicamente conscientes e procurarão produtos e serviços sustentáveis. É a geração ‘multitasking’ (multitarefa) por excelência, capazes de trabalhar com vários ecrãs ao mesmo tempo. São mais “certinhos” do que os Millennials, com as estatísticas a mostrar menos consumo de álcool, menos abuso de drogas e menos gravidezes na adolescência.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

O que é o Limbo?




Nas minhas experiências de perda de sentidos, mergulhei sempre neste ciclo:

- O que é o limbo?
- E nesse momento passaram-lhe várias coisas pela cabeça.

Só me lembro de ir perdendo a respiração cada vez mais e os músculos não responderem. O que aconteceu depois, só consigo descrever como uma tentativa de escutar algo impossível de ouvir por causa da multidão que me tenta trazer de novo à realidade. 
Estou consciente, ouço o ruído todo à minha volta, sinto as mãos que desesperam por me trazer de volta para este mundo, o grito aflitivo a chamar pelo meu nome, as batidelas na cara, as tentativas de me colocarem em pé, mas tudo o que eu quero é escutar aquele timbre que parece que tem algo para me dizer. Não consigo.
Os meus olhos já estão abertos e meia atordoada percebo que já estou a recuperar os movimentos, pelo menos já não falo apenas com a voz do "Olha quem fala", através da voz do cérebro, sem verbalizar; nesse momento já consigo mover os olhos e de seguida a cabeça, o pescoço, os braços, até que de repente recupero o controlo de todos os músculos e levanto-me como se nada tivesse acontecido. 
Tirando a parte em que não me lembro de ter apagado e perdido os sentidos.

Pensei que eram crises epilépticas, mas nunca tive convulsões.
Weird.

Conversão



Agora com tempo para pensar, as teorias mais estranhas têm assolado a minha cabeça.
Comecei a perceber mais sobre crianças indigo, aprendi sobre crianças cristais e descobri as crianças arco-íris. 
Agora as coisas começam a fazer mais sentido. 



A vida é feita de cor.


Já basta sermos prisioneiros do nosso corpo.


Sur❤PRICE❤




Cada dia que passa convenço-me mais que estes sinais $,£,€, servem para afastar pessoas.


Há por aí muita gente que não sabe que o 💕 
não se compra, nem se vende. 
Conquista-se.


⚘ 💮 🌷 🌸 🌹 🌺 🌻 🌼


O Preço da Independência




Ser independente é uma questão que diz respeito a uma minoria muito restrita: é um privilégio dos fortes. 
Quem muito se balançar, sem necessidade, mesmo que tenha todo o direito a isso, prova não só que provavelmente é forte, mas também audacioso até à temeridade. 
Mete-se num labirinto, multiplica até ao infinito os perigos inerentes à própria vida; e o menor desses perigos não está em que ninguém veja como e onde se perde, despedaçado na solidão por qualquer subterranêo minotauro da consciência. 
Supondo que um tal homem padeça, o facto estará tão distante do entendimento dos homens que estes não o sentem, nem o compreendem: - e ele já não pode regressar! 
Não pode sequer regressar à compaixão dos homens! 

Friedrich Nietzsche, "Para Além de Bem e Mal"

Je Suis #Quasimodo


LÁ FORA








(Bla bla bla whiskas saquetas)

O mundo é mau
Cruel e fraco
É só em mim em quem tu podes ter confiança
Tu só me tens a mim...

Eu que te mantenho, cuido, e visto
E olho pra ti sem ter pavor
Como posso proteger-te se tu não ficares aqui
Fechado aqui..

Lembra-te do que te ensinei Quasimodo

E tu não compreendes (só tu é que me defendes)
Para os estranhos és um monstro (sou um monstro)
Vão-te escarnecer e humilhar (Sou um monstro)

Porque hás-de queres ouvir aleivosias
Fica aqui...secrato ai (Secrato)
Sê fiel a mim (Fiel sou)
Eu dito a lei
Mandei...ficar...aqui

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Por trás destes muros
Protegido sem querer
Olho as multidões decontraidas..

sempre...sempre a vê-las
escondido sem viver
as histórias que são suas vidas

tenho as suas caras na memória
E já sei de cor como se chamam

Toda a minha vida quis saber como será
Estar com eles
Ser como eles

Lá fora...
Livre como o sol...
só desejo um dia
Só desejo um..
Poder ser livre

Fora...
vivem sem saber viver..
Quero ir
E saber
como é viver aíii

Lá fora vejo as gentes a viver o dia-a-dia
vejo dos telhados da cidade

Vivem a alegria que é a minha fantasia
não dando valor à liberdade
E sonho...ser um deles livree

Pra viver lá fora
Quero abraçar
o nascer do dia
qual homem comum
Que livre vive 

foraa
um só dia..um só um..
vai-me bastar

pra viver...recordar...reviver
a sonhar e saber como é viver aíiiii...