segunda-feira, 13 de abril de 2026

Quem sou eu?

"Esse est percipi", George Berkeley 


Tendemos a viver identificados com aquilo que pensamos e sentimos. Dizemos “sou ansiosa”, “sou insegura”, “sou assim”, como se cada pensamento que atravessa a mente fosse uma definição estável do nosso ser. No entanto, quando observamos com mais atenção, algo subtil começa a revelar-se: nem tudo o que aparece na mente nos define de forma absoluta.

Pensamentos surgem. Emoções surgem. Sensações e memórias também. E surgem, na maioria das vezes, sem serem escolhidos. Não decidimos sentir ansiedade antes de ela aparecer, nem escolhemos, conscientemente, o pensamento que irrompe num determinado momento. Podemos sentir raiva, não somos a raiva. Ainda assim, há algo em nós que percebe tudo isso. Há uma espécie de presença que nota: “estou a pensar”, “estou a sentir”, “estou a reagir”.

Esta capacidade de perceber o que acontece internamente levanta uma questão antiga e profundamente filosófica: se consigo observar os meus pensamentos, então sou eu esses pensamentos?

A resposta intuitiva costuma ser sim. Mas há uma segunda possibilidade: aquilo que observa não é necessariamente o mesmo que aquilo que é observado.

Os pensamentos mudam constantemente. As emoções também. Um instante pode ser de confiança, o seguinte de dúvida. Um dia sentimos clareza, no outro confusão. Se o “eu” fosse exclusivamente aquilo que pensa e sente, então seria igualmente instável e fragmentado. No entanto, existe uma continuidade na experiência de estar consciente dessas mudanças.

Há, por assim dizer, uma diferença entre o conteúdo da mente e a consciência desse conteúdo. Os pensamentos aparecem dentro da experiência, mas também são percebidos. E essa perceção não parece depender do conteúdo específico que surge.

É aqui que surge a ideia do “observador”: não como uma entidade separada e rígida, mas como a própria capacidade de estar ciente do que acontece. Tal como um céu onde as nuvens passam, a mente pode ser vista como um campo onde pensamentos e emoções surgem e desaparecem.

No entanto, esta metáfora não deve ser tomada de forma literal. Não existe necessariamente uma separação real entre “o que pensa” e “o que observa” como duas coisas distintas dentro de nós. Trata-se antes de uma forma de descrever duas funções da experiência: o surgimento dos pensamentos e a consciência desse surgimento.

Um ponto importante é perceber que muitos dos nossos pensamentos não são deliberados. Eles aparecem espontaneamente, e só depois podemos reconhecê-los, questioná-los ou segui-los. Outros pensamentos são mais intencionais, como no raciocínio e na reflexão. Mas mesmo nesses casos, há sempre uma consciência que reconhece que o pensamento está a acontecer.

Desta perspetiva, talvez não sejamos reduzíveis aos conteúdos da mente. Dizer “sou isto” ou “sou aquilo” pode ser apenas uma forma de fixar algo que, na realidade, está em constante movimento.

No entanto, isto não significa negar os pensamentos ou afastar-se deles. Pelo contrário, trata-se de uma mudança na relação que temos com eles. Em vez de nos fundirmos automaticamente com cada pensamento que surge, podemos reconhecê-lo como um evento mental: algo que aparece, permanece por algum tempo e depois desaparece.

Esta simples mudança de perspetiva tem um efeito profundo: aquilo que antes parecia uma verdade absoluta sobre nós mesmos começa a ser visto como uma experiência passageira. E, nesse espaço de reconhecimento, abre-se a possibilidade de não reagir automaticamente, de observar antes de agir, de ganhar alguma liberdade interior.

Talvez, então, a questão “quem sou eu?” não precise de uma resposta definitiva. Talvez o mais próximo de uma resposta seja este movimento contínuo entre o que surge dentro de nós e a consciência desse surgir. Entre o vivido e o percebido. Entre o pensamento e o saber que se está a pensar.


Frases que me trouxeram aqui:

Tudo à minha volta são construções da minha cabeça.

Somos o universo experimentando-se a si próprio.

Eu não sou eu, sou quem me observa.

São as coisas que me irritam ou sou eu que me irrito com as coisas?

Ser é ser percebido.

O Universo é mental.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Instructions before visiting Earth

 



"In the event that you wake up
and find your soul separated from source
and manifest into material form, don’t panic.
Your condition is only temporary.

You have been selected for the opportunity
of human incarnation.
This 3D simulation is designed
to break up the monotony of eternity
by giving you a fully immersive experience
as a distinct ego identity.

Your body will serve
as your physical avatar
as you navigate a dense and dramatic reality.
There will be many distractions
causing you to forget your true nature and origin.

You will experience a range of emotions
from joy to loneliness to despair.
But remember – no matter
what trials and traumas you encounter,
your soul remains perfectly safe.

At times you may feel lost or afraid.
This is totally normal.
If you ever need guidance,
simply slow down your busy mind
and bring your awareness
to the quiet place
inside yourself.

On this planet, nothing is permanent.
People and things will come and go.
You will fall in love and form sentimental attachments
only to lose everything you hold dear.

So cling to nothing too tightly, even yourself,
and when it’s time to let go, let go with grace,
for nothing is owned, only borrowed.

As you walk among
the people on the planet,
try to be a good guest.
Tread lightly. Remember
that you are only visiting.
Don’t make a mess.
Listen more than you speak.
Give more than you take.

Don’t keep your soft heart
locked inside a glass cage,
protected from wear and tear.
You’ll never make it out alive
and time passes quickly.
So come back with some battle scars
and good stories to tell."


Instructions before visiting Earth, by James McCrae

terça-feira, 24 de março de 2026

Ressonância

Viver é, em grande parte, aprender a navegar no ruído. O mundo, com a sua pressa e exigências, apresenta-se muitas vezes como um caos absoluto, um volume ensurdecedor de informações, expectativas e regras que ameaçam silenciar a nossa própria voz. Nesse cenário, a sanidade não vem da tentativa de controlar a desordem, mas da rara e preciosa capacidade de encontrar ressonância.

A ressonância é o oposto do ruído. Enquanto o ruído distrai e confunde, a ressonância alinha. É aquele instante em que algo externo, um olhar, uma conversa ou uma ideia, vibra exatamente na nossa frequência. É algo profundo e visceral que a nossa alma reconhece, que nos serve de rumo no meio do nevoeiro cerrado. É um amparo silencioso que o universo nos envia quando nos sentimos perdidos.

A ressonância atinge o seu ponto mais alto na conexão humana, porque muitas vezes, é noutra pessoa que a experimentamos. É a sensação de que, apesar de toda a confusão do mundo, alguém te vê ou ouve na frequência certa, criando um refúgio psíquico contra o desmoronamento emocional.

Quando duas frequências se alinham, o caos não desaparece, mas deixa de ser tão assustador. Ele torna-se apenas o cenário de fundo para algo essencial: a confirmação de que não estamos sozinhos na nossa maneira de sentir. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

maria

maria - Carolina Deslandes




Maria não queria saber de ser bonita
Queria ler os livros, sublinhar a lápis
Escrevia sobre uma tal rapariga
Num jeito inocente, apaixonado e frágil
A timidez de uma vida interdita
Os pais diziam que já devia namorar
Falavam do João a quem amava a Rita
E no quarto sozinha punha-se a chorar
Será que é verdade que é imperfeição
Ser diferente do que quiseram p'ra nós?
A família diz-lhe que é doente do coração
E ela não queria magoar os avós
Então Maria vestiu vestido
Esqueceu os livros, quеimou as cartas
Jantou com o João e fingiu gemidos
Ele diz quе ela é sua namorada

Maria nunca foi feliz
Mas é atriz p'ros seus amigos
Uma vida que com "di", estava escrito
Tem um anel e os pais aplaudem
"Como é bonito, como é bonito!"
Já divide casa, cozinha o jantar
Escolhe o lugar e o vestido para se casar
E a Rita agora quando a vê passar
Muda de passeio, muda de sentido
Será que o amor é coisa p'ra tratar
Tal qual uma doença triste
Será que Deus escolheu quem devemos amar?
Será que Deus existe?
Então Maria casou de vestido
Brindou com vinho, dançou a valsa
Disse o sim ao João, que é seu prometido
Ele diz que ela é mais bonita casada

Maria toma comprimidos
Os dias compridos não a deixam dormir
Tem uma voz a falar ao ouvido
Diz-lhe que o caminho é só não desistir
Tem um filho na barriga
E uma rapariga que nasceu primeiro
Dizem que ganhou a lotaria
Mas o sabor de um prémio é ser verdadeiro
Será que se fingir o tempo inteiro
Um dia destes vai virar verdade?
A solidão acesa como um candeeiro
A iluminar a falta de vontade
Então Maria perdeu o sorriso
Agora o seu marido diz-lhe que não a quer
Saiu de casa a um domingo
Sem um aviso, ou um bilhete sequer
Maria fingiu uma lágrima
Virou a página, até mudou de rua
E agora com mão na vida
Escreveu à Rita
"Tenho saudades tuas..."





sábado, 28 de fevereiro de 2026

A Beleza da Inatingibilidade


"A existência precede a essência"

Jean-Paul Sartre



O ser humano persegue a perfeição como quem tenta fugir da própria condição.
Há, nesse movimento, uma angústia inevitável, a consciência de que jamais seremos completos e de que toda plenitude nos é apenas sugerida.
Intuímos uma beleza ideal, sempre subjetiva, sempre deslocada, e a tomamos como horizonte, não como destino.
A inatingibilidade dói porque expõe os nossos limites... mas também nos salva da estagnação. É justamente o que não se alcança que mantém o desejo vivo, o pensamento em movimento e a criação pulsando.
A beleza da inatingibilidade está nesse espaço entre o que somos e o que imaginamos poder ser.
Não tocamos o absoluto, mas é na tentativa - consciente do seu fracasso - que afirmamos a nossa condição humana.


A imperfeição é possibilidade.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Descarte


A Natureza dá-nos tudo, e quase tudo tem um preço.
Somos escravos de um sistema que nos suga a energia para alimentar os vampiros que enriquecem mais, à medida que deixam o mundo mais pobre.
Se não trabalhamos, não somos dignos de humanidade, abrigo ou alimento.
Tal como uma vaca que já não dá mais leite, somos descartados e excluídos de uma sociedade que trocou o chicote pela indiferença e o esquecimento.
E quando vagueamos, despidos da nossa humanidade, o que nos resta?



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

"Não se faz poesia só de dias suaves"


Ao Ocaso - Capicua, Toty Sa'Med



Um brinde à aurora
Tchim tchim ao ocaso
Quando for a hora do fim, eu bazo
Não é por acaso que a vida parece breve
E se for o caso
Que a terra nos seja leve
A morte de um grande poeta
É como o incêndio da biblioteca de Alexandria
Ou o desmatamento da Amazónia
Mas não haveria poesia se a vida não fosse transitória
E não fosse preciso inventar o fim da história
A morte de um grande poeta
É a extinção completa de todas as aves
Mas não se faz poesia só de dias suaves e sеm pesares
Seria como o dеgelo dos glaciares
E provocaria a fúria de todos os mares
Quem nos guia na treva e aponta a lanterna?
Nos tira da merda e segura na queda?
Quem nos ampara se a vida é incerta?
Quem nos desamarra?
Quem nos liberta?
Quando um poema nasce, nasce da verve
E quando um poeta morre, o mundo perde
Um brinde à aurora
Tchim tchim ao ocaso
Quando for a hora do fim, eu bazo
Não é por acaso que a vida parece breve
E se for o caso
Que a terra nos seja leve
Perguntaram à máquina como morre um poeta
Que a máquina é esperta e só dá resposta certa
Disse que o pior veneno é o adormecimento
Trocar toda a arte só por entretenimento
Escolher a evasão em vez do encantamento
Ilusão de sucesso e não reconhecimento
Dopamina rápida em vez de conhecimento
O dinheiro ao tempo, o ecrã ao momento
Tornados robôs, sem rasgo, nem rebeldia
Incapazes de entender a ironia, de ter empatia
Morrem os poetas e a alma fica vazia
Que a máquina faz tudo, mas não escreve poesia
Se eu entendesse de química e física quântica
Se eu percebesse de álgebra e de matemática
Podia voltar ao tempo-espaço em que se deu o erro crasso
Pra resolver o descompasso entre planos e dimensões
Se eu percebesse de hipnose da mente
Ou psicanálise do inconsciente
Podia entender o onírico, decifrar o espírito
E encontrar um atalho prás emoções
E depois poder salvar os poemas e as canções
Por isso eu faço
Um brinde à aurora
Tchim tchim ao ocaso
Quando for a hora do fim, eu bazo
Não é por acaso que a vida parece breve
E se for o caso
Que a terra nos seja leve
Um brinde à aurora
Tchim tchim ao ocaso
Quando for a hora do fim, eu bazo
Não é por acaso que a vida parece breve
E se for o caso
Que a terra nos seja leve
Que a vida não seja breve
Que a terra nos seja leve
Que a vida não seja breve
Que a terra nos seja leve

O poeta palestiniano Marwan Makhoul escreveu:
"Para escrever um poema que não seja político devo escutar os pássaros
Mas para escutar os pássaros, é preciso que cesse o bombardeamento"

sábado, 26 de julho de 2025

O poder da entrega

Tendemos a querer controlar tudo, com uma dificuldade em compreender que há coisas que simplesmente não podemos moldar à nossa vontade. Essa ânsia leva-nos muitas vezes à frustração, à mágoa e até à revolta, como se a vida não fosse justa.

No entanto, a entrega é um caminho pouco praticado. Quando nos libertamos da necessidade incessante de controlar, permitimos que a vida se desdobre de formas que a nossa mente limitada talvez nunca concebesse. Imagina nadar contra a corrente: cansa, esgota e não saímos do lugar; mas se nos permitirmos flutuar, confiar que a água nos sustenta, aí conseguimos mover-nos com mais leveza e chegar onde é preciso.

Aceitar o que não podemos mudar é a chave. A paz que daí advém, e a eficácia que resulta de não desperdiçar energia em lutas infrutíferas, são manifestações de um poder muito mais genuíno e duradouro do que o de qualquer tentativa de domínio. É o reconhecimento de que, por vezes, a maior força reside em adaptar-se, fluir e confiar no processo. Ao nos entregarmos, libertamo-nos da ilusão de controlo e abrimos espaço para novas possibilidades, soluções inesperadas e um sentido de paz que o controlo rígido nunca poderia proporcionar. É um poder que surge da liberdade, não da restrição.

O verdadeiro poder não está no controlo, está na entrega.


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Underdogs

 



A Comunicação Social quer, a todo o vapor, influenciar o povo nas próximas eleições legislativas e utiliza os últimos cartuchos para manter um governo de Direita no poder, que tende a favorecer os ricos e a excluir os pobres. As elites do poder, fazem de tudo para minar a imagem do líder do maior partido de Esquerda em Portugal, tornando Pedro Nuno Santos num underdog. Mas, se olharmos com atenção, Portugal é um underdog.

Na cauda da Europa, vai sobrevivendo sem poder de decisão, graças a ecos de uma ditadura recente que levou à emigração forçada. Um underdog que se libertou das amarras fascistas, que queriam o povo em subversão, e que lentamente recupera das suas feridas.

E, tal como Portugal, a história está cheia de underdogs. Dos exércitos pequenos que derrotaram impérios aos inventores ignorados que mudaram o mundo. Dos atletas desacreditados que ergueram troféus aos sonhadores que construíram grandes empresas do nada.

Os underdogs ganham, porque partem em desvantagem. Porque sabem que cada passo é uma batalha e cada derrota, uma lição. Não contam com favores nem com facilidades, heranças ou pareceres. Contam com a sua persistência, criatividade e resiliência. Quando lhes dizem que não podem, eles respondem com trabalho. Quando os empurram para baixo, eles ganham força e sobem mais alto. Outra diferença é que um underdog tem garra, porque a vida nunca lhe foi facilitada, e tem muito menos a perder do que quem está no topo.

O mundo tende a menosprezar os que começam de baixo, que não têm nome ou um título. Mas foi sempre dos underdogs que surgiram as maiores revoluções, as ideias que desafiaram o status quo, que derrubaram sistemas opressores, e as histórias que inspiraram gerações.

Subestimar um underdog é o primeiro erro. Ignorar a sua capacidade de luta é o segundo.

No final, são eles que ficam de pé, enquanto os que estavam no topo permanecerão eternamente, e sem sucesso, a tentar entender como perderam.

sábado, 15 de março de 2025

Queres Discutir Comigo?




Diariamente, cruzamo-nos com pessoas que nos desafiam para uma discussão. Acontece de forma tão subtil que, muitas vezes, nem nos apercebemos – é como entrar num autocarro sem saber para onde nos vai levar.

Seja no trânsito, numa fila de supermercado, ou simplesmente a olhar para o menu de um restaurante, há sempre alguém à espera de uma oportunidade para te arrastar para um conflito.

E não falo de um debate construtivo ou uma troca de ideias, falo de discussão pura e dura, violenta e desnecessária.

Há pessoas que são infelizes e, sem saber o que fazer com essa infelicidade, descarregam nos outros. Alguém que se atrase de manhã para ir trabalhar, vai andar o caminho todo colado à buzina no trânsito, enquanto quem saiu de casa com tempo segue na sua tranquilade.

E há sempre aqueles que andam feitos bailarinas a saltar de faixa em faixa, simplesmente porque não suportam a ideia de estar parados – parar significaria confrontarem-se consigo mesmos.

E em qualquer fila, nunca falta o típico pombo, a esticar a cabeça por cima dos ombros de quem tem à frente, a inspecionar porque há fila ou porque está tudo tão lento.

Estamos tao habituados à "Fast Life", que até o tempo que uma planta demora a crescer pode parecer frustrante para alguns.

Somos oito biliões de pessoas. É inevitável cruzarmo-nos, todos os dias, com uma dúzia delas que te vai oferecer uma discussão.


E aqui está o verdadeiro poder: podes simplesmente não aceitar a oferta.




Não entres no jogo. Não reajas à provocação. Não aceites a discussão. Não te deixes levar pela estupidez humana, que tantas vezes nos leva a cometer loucuras.
Deixa os apressados seguirem o seu caminho, porque não sabem estar de outra forma.
Estão sempre a correr – não para chegar a algum lado, mas para fugir de si próprios.
Fica na tua. Dá licença. Deixa-os ir.
Não precisas de reagir a tudo. Não precisas de te envolver em cada briga. Sê apenas um observador.

A não ser, claro, que se trate de uma situação que realmente exija intervenção – e aí, sim, temos a responsabilidade de falar.

Mas no trânsito ou numa fila de espera, em que alguém está com pressa e manda bocas, ou carrega na buzina mal semáforo fica verde... Simplesmente observa.
Não deixes que os apressados levem a TUA Paz com eles.
No fim do dia, é tudo ejaculação precoce.


Muita calma.