Portugal enfrenta, mais uma vez, um momento decisivo. As eleições estão à porta, e a decisão que tomarmos agora definirá o futuro do país nos próximos anos. No meio da desinformação e das promessas vazias, é crucial lembrar que a história ensina lições preciosas, e ignorá-las pode custar caro.
Há apenas 50 anos, Portugal vivia sob uma ditadura que reprimia liberdades, concentrava riqueza nas mãos de poucos e condenava a maioria da população à pobreza e à emigração forçada. A Revolução de Abril trouxe direitos, o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e a ideia de um Estado que protege os cidadãos, em vez de os explorar. Mas hoje, vemos surgir discursos que distorcem a realidade e colocam em risco estas conquistas.
Os partidos de Direita, aparecem como "Salvadores da Pátria", com promessas de menos impostos e mais dinheiro no bolso, de restauração de glória que Portugal viveu em tempos, mas a realidade é outra: defendem a privatização da saúde, da educação e da segurança social, com políticas de divisão e exclusão, e falsas promessas de melhoria salarial geral. Em vez de termos serviços públicos acessíveis a todos, apenas quem puder pagar terá acesso a eles, aumentando o fosso entre ricos e pobres.
Além disso, usam a tática de culpar os imigrantes pelos problemas económicos, quando o verdadeiro problema é a concentração de riqueza e os lucros exorbitantes de grandes empresas, que pagam mal e exploram os seus trabalhadores. Assistimos a estratégias antigas: dividir para conquistar, criar bodes expiatórios e desviar a atenção dos verdadeiros culpados. Cortinas de fumo. A História ensina-nos que estas narrativas apenas favorecem os mais ricos e poderosos, deixando o povo a migalhas.
Um dos maiores riscos que enfrentamos agora é a dispersão do voto. Existem Partidos pequenos, com propostas interessantes, mas num momento de fragilidade política, votar neles pode acabar por beneficiar a Direita. Se a Esquerda se fragmenta, quem se fortalece é quem quer continuar a destruir os direitos conquistados, reduzindo o poder a um núcleo pequeno de pessoas.
Um voto num Partido pequeno de Esquerda pode significar um voto num Partido grande de Direita.
Os jovens, que são o futuro do país, precisam aprender a desconfiar das promessas fáceis e a ter pensamento crítico. Quando algo parece bom demais para ser verdade, é porque não é verdade. São constantemente minados nas Redes sociais, através de influencers financiados por grandes interesses económicos, que não estão preocupados com o bem comum ou com os seus fiéis seguidores. Estão apenas a cumprir agendas que os beneficiam a si próprios e àqueles que já têm poder.
A solução é a união. A Esquerda não pode cometer o erro de se dividir em pequenos grupos, quando o que está em jogo é a sobrevivência de um Estado que protege os seus cidadãos. A escolha não é entre a perfeição e o caos, é entre avançar ou regredir. Não deixemos que mentiras engendradas, truques nas mangas e canções de embalar nos tirem o que custou décadas a construir, que a Direita sempre insistiu incansávelmente em destruir.
Vivemos em tempos de confronto, do Novo contra o Velho, do deixar o que já não nos permitem crescer e evoluir, de largar o que já não serve, de deixar os velhos costumes do Racismo, da Misoginia, da Xenofobia, da Homofobia, da Indiferença, da Inveja, da Raiva, e de abraçarmos a Solidariedade, a Bondade, a Caridade, a Generosidade, e todos os valores que nos unem e acrescentam.
É altura de sermos amigos uns dos outros novamente, de esquecer as nossas diferenças, de valorizar menos o dinheiro, o estatuto, a conta bancária, a cor da pele e o código postal, e começarmos a reparar na forma como nos tratamos uns aos outros, no carácter do que temos, na ética, na cortesia e cordialidade, e todos esses valores que estamos a deixar esquecidos pelo tempo.
É a derradeira luta entre o Dinheiro e o Homem.
...E tu, vais votar no Quê, ou em Quem?