Cada vez mais percebo que tenho melhor entendimento com as pessoas de forma não verbal.
Através de gestos, de olhares, do toque, e até às vezes, só o simples facto de estar...
É como a diferença do ouvir e escutar.
Muitas vezes gastam energia a falar connosco e vice-versa, mas será que realmente a mensagem está a ser entendida? Se considerarmos a premissa que num diálogo existe sempre mais do que uma perspectiva, a minha, a tua e a "outside the box", podemos concluir que: ou existe uma grande sintonia, ou a mensagem não vai ser interpretada 100% correta.
Como aquele jogo em que estão 10 pessoas em fila, a última inventa uma frase e vai dizendo para o outro até que a primeira tem que repetir a frase. Há sempre alguém pelo caminho que mete àgua.
Ou como quando observamos surdos-mudos a falarem por linguagem gestual, não estão com trinta olhos colados a olharem sempre uns para os outros, para não perderem pitada de palavra.
Quantas vezes falam connosco e por breves momentos algo desvia a nossa atenção e o fio da conversa desliga e sofremos uma branca?
Falar ajuda. Ouvir também.
Mas é mais importante escutar. Porque quando começares a escutar realmente, vais ter outro entendimento.
É como a diferença entre Ver e Olhar.
Um dos meus filmes favoritos tem a expressão "Are you watching closely?" e é fantástico observar a reviravolta quando se percebe que uma das personagens tinha um gémeo e que a grande diferença entre eles os dois esteve sempre à vista do protagonista, sem ele nunca reparar.
Quantas vezes procuramos coisas que estão mesmo à frente dos nossos olhos e não reparamos?
Vemos muito e ouvimos muito.
É preciso OLHAR. É preciso ESCUTAR.
E é preciso PARAR!
PARAR, para refletir no que estamos a fazer no nosso dia a dia.
Cada vez mais nos transformamos em zombies. Abandonamos os nossos filhos no infantário ou na escola, somos escravos do trabalho, do dinheiro, compramos uma casa que nem tempo decente temos para usufruir e convencemos-nos que temos uma vida de qualidade.
Cada vez mais vejo famílias reunidas com os olhos mergulhados nos seus smartphones, partilham apenas o mesmo espaço. Cada vez somos mais estranhos. Menos um por todos e todos por um. Vemos alguém a ser injustiçado ao nosso lado e resignamos-nos a estar calados, a assistir de plateia. Estamos mortos, pergunto-me? Não temos boca? Temos medo? De quê? Que se virem para nós?
A união faz a força...
É preciso largar as armas e dar as mãos.
Quando foi a última vez que saíste à rua e deixaste a armadura em casa?
