Passei agora por uma loja de animais e vi um papagaio daqueles cinzentos, numa gaiola grande, exposta na montra.
Olhei para ele e senti-me triste. Atraiu-me com aqueles olhinhos pequeninos, claros, com a pupila bem escura. Estive algum tempo a fazer-lhe festinhas pelo vidro. Ele seguia a minha mão com o olhar, atento ao que eu estava a fazer. O papagaio tremia.
E naquele momento fui inundada de uma grande revolta. Ali estava, aquele papagaio inocente, preso numa gaiola, num dia de sol, tratado como um objeto, uma peça de mercadoria, algo que faça enriquecer os bolsos de quem o expôs.
Revolta.
Até que todas as jaulas estejam vazias.